sexta-feira , 11 setembro 2026
Início Opinião Manicure recorre a veneno contra assédio: quando a impunidade militar vira tragédia doméstica
Opinião

Manicure recorre a veneno contra assédio: quando a impunidade militar vira tragédia doméstica

93

Em um caso que expõe as entranhas podres do machismo institucional, uma manicure de 34 anos no Distrito Federal tentou envenenar seu companheiro, um cabo da Força Aérea Brasileira de 36 anos, com brigadeiros misturados a chumbinho. O estopim? A revelação chocante de sua filha de 18 anos, que relatou assédios sexuais repetidos pelo padrasto, incluindo um episódio recente onde ele, sem cueca, deitou sobre ela na cama enquanto a irmã menor chorava assustada. Essa não é só uma história de vingança pessoal, mas um grito contra um sistema que permite que militares como esse escapem de punições, arquivando denúncias antigas e perpetuando um ciclo de abuso que destrói famílias. Jovens, é hora de questionar: por que instituições como a FAB ainda protegem comportamentos autoritários e violentos sob o manto da hierarquia?

O relacionamento de 13 anos do casal era um barril de pólvora, marcado por brigas, agressões físicas e consumo excessivo de álcool pelo militar, que a manicure descreveu como autoritário e implicante. Há dois anos, uma denúncia de assédio contra a então enteada de 16 anos foi arquivada, permitindo que o casal se reconciliasse – só para o padrão se repetir, com o cabo pedindo “carinho físico” e presenteando a jovem para ganhar afeto. Ele nega tudo, alegando ser mal interpretado, mas justifica toques “não lascivos” em um banheiro, o que soa como a clássica desculpa de quem abusa do poder. Criticar isso não é sensacionalismo: é expor como a impunidade em esferas militares reflete uma política maior de negligência com vítimas de violência de gênero, deixando mulheres e jovens desprotegidos em um país que ainda trata assédio como “mal-entendido”.

Abalada, a manicure comprou veneno e manipulou os doces, mas se arrependeu após ele comer um, alertando-o para buscar ajuda – ele sobreviveu com dose insuficiente para matar, e optou por não denunciá-la. Agora, um novo inquérito investiga importunação sexual, mas e daí? Sem reformas políticas urgentes para combater o patriarcado nas forças armadas, casos assim vão se multiplicar, vitimando mais uma geração. Jovens do DF e além, não fiquem calados: exijam accountability de quem deveria nos proteger, não nos oprimir.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícias relacionadas

CidadesOpinião

Goiânia registra alta de 12,3% em novas empresas, mas microempreendedores e tributos preocupam

Em agosto de 2024, Goiânia registrou a abertura de 6.284 novos CNPJs,...

CidadesOpinião

Comurg expõe negligência crônica ao fazer limpeza emergencial em cemitério de Goiânia

A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) iniciou nesta semana uma limpeza...

CidadesOpinião

Parque Mutirama e Zoológico de Goiânia mantêm horários normais no feriado de 8 de setembro

O Parque Mutirama e o Zoológico de Goiânia funcionarão em horários regulares...

Dyogo Crosara - Advogado e Sócio do Goiás EC
OpiniãoPolítica

Goiás vota hoje mudanças no estatuto que concentram poder no presidente

O Goiás Esporte Clube promove nesta sexta-feira, 14 de agosto de 2026,...